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Universidades se mobilizam para colocar aluno no mercado de trabalho PDF Imprimir E-mail
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Sáb, 03 de Janeiro de 2009 14:54

Com o aumento do número de cursos universitários, a disputa por uma vaga no mercado de trabalho tornou-se tão difícil quanto a própria disputa do vestibular, com relações candidato/vaga igualmente pesadas. Além disso, a pressão é grande para que o estudante saia da universidade já empregado. Diante desse cenário, as instituições de ensino têm se organizado de várias formas para ajudar o aluno a dar o pontapé inicial na carreira - aproveitando a oportunidade para, também, se destacarem entre milhares de faculdades e universidades.

A época em que as escolas tinham uma postura passiva ficou para trás. Só um painel de cortiça com as oportunidades fixadas com alfinetes é coisa do passado. As instituições têm feito tanto projetos sazonais, que existem somente na época do vestibular, quanto estruturado departamentos internos voltados somente para a área de estágios e trainees.


Foi por causa da alta procura das universidades por vagas para seus alunos que o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) conseguiu colocar em prática, em todo o país, o projeto de postos de atendimento nas próprias instituições. Hoje são 55 postos em universidades de grande porte, sendo que o primeiro foi instalado em 2005. “São as universidades que nos procuram para ter um posto. Normalmente as parcerias são seladas com aquelas que têm um número alto de cursos”, afirma Eduardo de Oliveira, superintendente operacional. Ele conta que o número de postos cresceu sensivelmente de dois anos para cá. Nesses locais, os alunos têm orientação sobre carreira e acesso a classificados de estágios em todas as áreas. Atualmente, o CIEE fecha mil novos contratos por dia no país.

Com propaganda na televisão, a Uniban (Universidade Bandeirantes, de São Paulo) aposta numa promoção ousada: garante um ano de estágio como chamariz para o processo seletivo. Os 20 alunos mais bem colocados no vestibular 2009 “terão vagas em empresas de grande porte e também na própria Uniban, assim que matriculados”, garante Eduardo Fonseca, presidente do Conselho de Comunicação da universidade. A meta é garantir, até o ano que vem, 10 vagas de estágio para cada um dos oito departamentos da universidade. “Trata-se de um projeto que começa no ano que vem, com os alunos que passarem com as melhores notas no vestibular, e que depois se estenderá para todos os estudantes da Uniban”, diz.

Em contrapartida, os funcionários das empresas que oferecerem os estágios terão descontos nos cursos de pós-graduação da instituição. Ou seja, as duas partes devem ganhar com a parceria. “Atualmente estamos na fase de visitas às empresas para apresentar esse projeto de estágio”, diz.

Departamento específico

Outra forma para apoiar os alunos na tarefa de conseguir um emprego é colocar em funcionamento um departamento na faculdade só para cuidar dos estágios. Ali, o estudante encontrará apoio para conhecer empresas e ter acesso às vagas disponíveis.

O Ibmec São Paulo - faculdade que oferece cursos de administração e economia - investiu, em 2004, em uma área específica de carreiras. Atualmente, o departamento passa por uma reformulação para ser dividido em dois: um de desenvolvimento profissional e outro para orientação de estudos. Alunos de graduação, pós e até formados podem lançar mão de serviços de coaching (desenvolvimento pessoal), orientação sobre qual curso optar depois da graduação e também de escolha por um estágio dentro das oportunidades levantadas pelo Ibmec entre as empresas conveniadas com a instituição - e nada disso é cobrado. “Costumamos também chamar as empresas para palestras dentro da faculdade, assim o aluno consegue saber como ela funciona e o que o mercado espera de um novo profissional”, explica Maria Ester Pires da Cruz, gerente de desenvolvimento de carreira do Ibmec Carreiras, do Ibmec São Paulo.

O resultado é um retorno significativo dos alunos. Este ano, até setembro, foram realizados 445 atendimentos de orientação profissional. De janeiro a setembro deste ano, foram divulgadas 820 oportunidades para estagiários e trainees, sendo que a previsão de formandos em administração e economia (graduação) até dezembro de 2008 é de 290 alunos (só em São Paulo). Ou seja, neste ano, há uma oferta maior de vagas do que a demanda de alunos até.

Iniciativa bacana também foi a do Departamento de Estágios da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim que uma vaga chega até o departamento, ela é encaminhada para os 55 coordenadores de estágio, que são professores da graduação responsáveis por separar o joio do trigo, ou seja, indicar quais alunos se encaixam para a aquela função. Feita a pré-seleção, um e-mail é disparado para esses alunos-alvos. “No ato da matrícula, a universidade já pede o e-mail do estudante para futuros envios de ofertas de vagas”, diz Maria de Lourdes Pereira Dias, diretora do departamento. Por ano, são fechados cerca de quatro mil contratos de estágio nos 87 cursos da universidade. A instituição tem, atualmente, cerca de 36 mil alunos.

Por conta da obrigatoriedade de estágios, nos últimos anos, de cerca de 60% dos cursos oferecidos na graduação, a universidade montou uma rede de empresas conveniadas de todos os portes, de dentro e de fora do país. São seis mil empresas no total, sendo 60 localizadas no exterior, em 18 países (França, México, Portugal, Suécia, Alemanha, EUA, Argentina, Áustria Canadá, Chile, Equador, Eslováquia, Espanha, Noruega, Itália, Japão, Paraguai e Suíça). “Para fazer parte do convênio, checamos se a empresa é formalizada. Tem de estar em dia com as partes fiscal e legal”, diz Maria de Lourdes.

Além do contato direto com as empresas e ONGs interessadas em mão-de-obra de qualidade, a universidade também faz contatos com agentes de integração, como o CIEE e o Instituto Euvaldo Lodi (que faz parte do Sistema Confederação Nacional da Indústria), por exemplo. Esses contratos representam 35% das vagas de estágios oferecidas na UFSC. Atualmente, 1,8 mil fazem o estágio obrigatório e outros 2,5 mil estagiam por opção.

Feiras de estágio

A organização de feiras de estágios também tem crescido nas instituições de ensino superior. É uma via de mão-dupla: “As empresas estão mais receptivas a esse tipo de evento. Elas aproveitam a oportunidade para buscar novos talentos, já que nós garantimos qualidade de formação”, afirma Nelma Cezário, coordenadora de eventos institucionais da Universidade Federal Fluminense.

A instituição participou da montagem da primeira edição da Feira de Estágio e Oportunidade UFF, entre 4 e 6 de novembro. Com o apoio de uma empresa terceirizada, reuniu cerca de 15 empresas --entre elas, Gafisa, Lojas Americanas e Ipiranga--, para montar estandes no local e oferecer vagas para os alunos da instituição. Nesse primeiro evento, o foco ficou voltado para os cursos das áreas tecnológicas (engenharia, arquitetura e matemática, por exemplo). “Se cada uma delas oferece de 10 a 15 vagas, vamos ficar muito satisfeitos”, afirma Nelma. A expectativa é de um público diverso - com alunos da UFF e demais estudantes da região -, que pode chegar a oito mil pessoas, pela previsão da organização.

Esse tipo de projeto também pode ser bom em outro aspecto: ser inteiramente e organizado pelos próprios alunos da universidade. Foi o que aconteceu pela segunda vez com o Mercado 2008 - Feira de Carreiras, realizado em 21 de agosto último. O evento foi totalmente produzido pelos alunos da Empresa Júnior da Escola de Engenharia da USP de São Carlos (EESC Jr). A primeira edição, de 2007, reuniu 18 empresas. Este ano, foram 33 participantes, dentre elas: Deloitte, Faber-Castell, e Bunge. “Não havia nenhum evento nesse formato em São Carlos. É um processo menos burocrático de acesso do aluno às empresas. Os estudantes do quarto e quinto anos acham muito bom, porque estão prestes a se formar”, comenta o diretor-presidente da EESC Jr., Luiz Henrique Fernandes Rosa Noronha, de 22 anos, que cursa o terceiro ano de engenharia mecânica.

Colega de curso, a aluna Natasha Valder,, de 21 anos, do quarto ano, conseguiu o estágio no Mercado 2007, quando também trabalhou apoiando a organização da primeira edição da feira. Ela trabalhou nas férias de verão (janeiro e fevereiro de 2008) e de inverno (só o mês de julho) na Unipac, indústria de embalagens plásticas localizada na cidade de Pompéia (SC). “Eu e mais dois amigos conseguimos estágios lá por termos ido à feira”, conta. Natasha assistiu às palestras e cadastrou seu currículo em algumas empresas, até que foi chamada para trabalhar.

Os alunos da Jr Consultoria, empresa júnior da Universidade Federal do Paraná, também ficaram tão contentes com o retorno da Trajetória 2008 - I Feira de Estágio & Trainee que já decidiram: a feira vai ter uma edição 2009. “A universidade é um lugar com grande potencial acadêmico, mas não atraía as empresas”, lembra João Felipe Krama Matos, de 18 anos, presidente da empresa júnior e aluno do primeiro ano de economia. Circularam pela feira cerca de dois mil alunos - da UFPR e de outras faculdades da região. No site do evento, os alunos puderam cadastrar seus currículos, que depois foram disparados para o mailing de todas as empresas presentes. E olha que a universidade nem tem uma coordenadoria só voltada para estágios. Isso quer dizer que dá para organizar uma feira sem uma estrutura formalizada.

Sua universidade ou faculdade ainda não se organiza para oferecer apoio na hora de procurar trabalho? Que tal sugerir alguma das iniciativas citadas para a reitoria? Outra sugestão é reunir os colegas de curso ou mobilizar o centro acadêmico para colocar em prática projetos novos ou mesmo os consagrados. O importante é agitar o campus - e agilizar a sua vida profissional.

 

Fonte: Abril.com (Rachel Bonino)
www.abril.com.br/noticias/educacao/universidades-se-mobilizam-colocar-aluno-mercado-trabalho-411279.shtml

 

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