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Independência: Empreendedorismo pode ser caminho para jovens PDF Imprimir E-mail
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Sex, 02 de Janeiro de 2009 14:51

O mundo do trabalho está mudando. Uma revolução acontece conforme o mercado abre mais espaço para quem tem projetos e disposição para ousar, e até o poder público começa a agir para ajudar pequenos empresários. Portanto, conseguir aquele emprego seguro com salário definido e certo - mas no negócio dos outros - não é a única alternativa. As oportunidades estão aí para quem quiser fazer as coisas do seu jeito.


O Brasil está em nono lugar na lista dos 42 países mais empreendedores, segundo a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em pesquisa encomendada à London School of Economics que busca retratar o empreendedorismo ao redor do mundo. Em 2007, 13% da população brasileira economicamente ativa — 15 milhões de pessoas, segundo a pesquisa — havia aberto um negócio próprio nos 42 meses anteriores.

“O brasileiro tem um dom natural para o empreendedorismo. Há cinco anos estamos vendo isso cada vez mais impregnado nele”, comenta o diretor superintendente do Sebrae de São Paulo, Ricardo Tortorella. “A maioria abriu sua empresa não porque quis, mas porque estava sem alternativas.” Resumindo, o brasileiro não planeja e escolhe - ele inicia um negócio porque não arruma um emprego. E ainda é jovem: de acordo com a Sebrae, em 2003, 4% dos negócios eram chefiados por brasileiros com menos de 24 anos. Hoje, esse número já subiu para 12%.

Apesar dos números, é claro que o caminho não é fácil, nem para jovens, nem para pessoas maduras. Segundo o próprio Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), o nível de mortalidade das pequenas empresas chega a 30% ainda no primeiro ano de vida. Por isso, o conselho é se preparar buscando orientação e informação. “O empreendedorismo está na veia, mas tem que ser desenvolvido”, aconselha Tortorella.

Para ajudar a difundir essa nova cultura e capacitar os interessados, a instituição promove palestras e cursos presenciais e a distância. Além disso, outras iniciativas destacam-se, como o curso Empretec — que ajuda o participante a desenvolver características empreendedoras para a condução dos negócios de forma competitiva — e o Desafio Sebrae, competição nacional que acontece por meio de um simulador online voltado para estudantes que estejam cursando o ensino superior.

A ferramenta didática, de acordo com o próprio Sebrae, é o maior jogo virtual de simulação de negócios do mundo e atrai cerca de 100 mil estudantes no Brasil, que formam equipes e chegam a encarar seis meses de disputa contínua. O Sebrae ainda promove, nas escolas públicas e particulares, o programa Jovens Empreendedores para educar estudantes de 6 a 14 anos. Os professores das escolas interessadas são treinados e passam a desenvolver atividades que estimulem um comportamento empreendedor nas crianças, como brincar de montar uma gibiteca ou uma fábrica de doces.

Começando cedo

Outro grande berçário para o empreendedorismo são as instituições de nível superior. Por meio das empresas juniores — que prestam serviços e desenvolvem projetos para companhias, entidades e para a sociedade em geral —, os estudantes aprendem a gerenciar atividades com a supervisão de professores e profissionais da área. “Cada empresa júnior envolve em média 25 universitários, geralmente de cursos como engenharia, administração, economia e informática, levando à estimativa de que existam quase 15 mil empresários juniores”, afirma o diretor presidente da Brasil Júnior (Confederação Nacional das Empresas Júnior), Lucas Santos Sales.

A experiência adquirida pelo estudante que se engaja na iniciativa - que não tem fins lucrativos - é enorme. O próprio presidente, que tem 23 anos e está se formando este ano em economia na Universidade Federal de Minas Gerais, passou pelo aprendizado na empresa júnior UFMG Consultoria Júnior (UCJ), que já existe há 16 anos. “Primeiro precisei passar por um teste para entrar na UCJ. Depois fiquei mais três meses em treinamento. Após esse período, exerci diversas atividades dentro da empresa até chegar à presidência”, diz Sales, sobre o ano e meio que trabalhou ali. “A experiência na empresa foi fantástica. Eu não teria como realizar tantas coisas em uma companhia normal. Trouxe-me capacitação, contatos e habilidade de planejar”, diz. Segundo ele, os participantes das empresas juniores adquirem as características necessárias de verdadeiros empreendedores.

Vinícius Carneiro, carioca de 24 anos, concorda. Ainda se graduando em engenharia eletrônica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele aprendeu muito com as experiências vividas dentro da empresa júnior de engenharia da instituição, a Hidros Consultoria. “Entrei na empresa em 2003 e fiquei três anos e meio lá. Eu sempre quis abrir meu próprio negócio, desde a época do colégio, mas não sabia como e não tinha incentivo. Quando entrei na Hidros, encontrei pessoas capazes, me preparei e aprendi coisas que me fizeram mudar”, lembra Carneiro.

Após sair da empresa júnior, Carneiro e um colega com quem participou do Desafio Sebrae fundaram a 2 Tech, que desenvolve software para financeiras. No começo, ela ocupava um pequeno espaço e tinha dois clientes — hoje são 18. Vinicius agora presta consultoria para a empresa que fundou e já está abrindo outro negócio, a I-Dutto, empresa de engenharia de telecomunicações.

 

 

Fonte: 180graus.brasilportais.com.br/geral/independencia-empreendedorismo-pode-ser-caminho-para-jovens-75175.html

 

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