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Memória Empresarial: da Celebração ao Relacionamento Estratégico PDF Imprimir E-mail
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Qui, 19 de Novembro de 2009 00:00

Foi-se o tempo em que Memória Empresarial se resumia à celebração do aniversário das organizações nas “chamadas datas redondas”. Hoje, temos acompanhado uma verdadeira explosão de empresas que desenvolvem projetos muito bem articulados sobre o tema, incorporando práticas inovadoras e apoiando os negócios das organizações. Cada vez mais a memória empresarial caminha ao lado da gestão e tem caráter estratégico, se desvinculando de um perfil de “recordação do passado”.


Muitas empresas, é verdade, iniciaram seus projetos de memória motivadas por efemérides, mas perceberam que esta é apenas uma possibilidade oferecida pelo desenvolvimento de estratégias e produtos relacionados à memória empresarial. Dentre os benefícios, podemos destacar a iniciação de um processo de autoconhecimento da organização, na medida em que a gestão da história resgata processos e valores empresariais; o desenvolvimento de projetos de endomarketing e comunicação interna a partir de homenagens a funcionários e coleta de depoimentos - o que estimula o sentimento de pertencimento; melhor preparo no atendimento a pesquisadores, imprensa e outros formadores de opinião; a colaboração na recuperação da imagem institucional em momentos de crise - quando é possível demonstrar a reputação e trajetória da empresa; a integração de culturas empresariais diversas em momentos de fusões, aquisições e reestruturações; a aproximação do público acadêmico, que demanda muitas vezes informações históricas da organização para o desenvolvimento de teses e dissertações; a consolidação da imagem junto a investidores ao demonstrar o posicionamento confiável da organização ao longo do tempo, e o fortalecimento da marca e identidade corporativa, afinal a história de produtos e marcas pode se transformar em uma das principais ferramentas para transmitir credibilidade e solidez. Ou seja, a memória é facilitadora de relacionamentos, estreitando laços estratégicos da organização.


Para ilustrar a força da reputação e memória é possível citar o caso da Philips, que na década de 70 adquiriu a Walita. O projeto inicial previa a substituição, em toda linha de produtos, da marca brasileira pela holandesa, fato que se mostrou inviável devido à força que a marca Walita tinha no Brasil, baseada em uma trajetória reconhecida, consolidada e admirada. Neste caso, a reputação e história da empresa falaram mais alto na definição da estratégia de marketing. Até hoje a marca é mantida no país, o único onde a Philips abriu mão de sua chancela.

A própria Aberje – Associação Brasileira de Comunicação Empresarial – ajuda a ilustrar a força do tema hoje. O Prêmio Aberje conta, desde 2000, com a categoria “Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial”, recebendo projetos de todas as regiões do país. Neste ano, dois cursos sobre o assunto já foram ministrados na entidade, o último deles com recorde de público. No Centro de Memória e Referência da Aberje , lançado em 2007, a Memória Empresarial figura em 2º lugar como o tópico mais pesquisado pelos usuários. Todos esses fatos, somados, denunciam não só o reconhecimento cada vez maior do tema, mas também a multidisciplinaridade dos comunicadores, que passaram a atuar com historiadores, designers, museólogos, bibliotecários e arquivistas.

O caminho de volta para o passado já está traçado. Feliz é aquele que consegue identificar neste percurso grandes oportunidades para o presente e futuro.


Fonte: http://www.aberje.com.br/

 
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